DIA MUNDIAL DA RECICLAGEM

DEFINIÇÃO:

Reciclagem é o processo de transformação de materiais descartados (resíduos) em novos produtos ou matérias-primas, inserindo-os novamente no ciclo produtivo, reduzindo, assim, a necessidade de extração de recursos naturais, diminuindo os resíduos em aterros sanitários e economizando energia, sendo um pilar de economia circular e da sustentabilidade.

O Dia Internacional da Reciclagem foi instituído pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência, e a Cultura), a ser comemorado no dia 17 de maio. É uma data de reflexão sobre as questões ambientais, sobre o consumismo, sobre o ciclo dos materiais e a urgência de uma economia regenerativa. Tem como missão ampliar a consciência individual e coletiva sobre a necessidade de reduzir, reutilizar e reciclar. Mas vai além: propõe uma mudança profunda de hábitos e mentalidade. Não se trata apenas de onde descartamos nossos resíduos, mas sim de como os produzimos, e valorizamos os materiais que nos rodeiam. Vivemos em uma era marcada pela abundância do descartável e pela escassez do essencial. O Dia Mundial da Reciclagem nos leva a encarar essa contradição de frente. Diante de um cenário global que acumula mais de 2 bilhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos por ano (segundo dados do Banco Mundial), reciclar já não é apenas uma opção, tornou-se uma responsabilidade ética, ambiental e econômica.

Dia mundial da Reciclagem – Rafa Resolve

Mais do que separar materiais no lixo, reciclar é uma forma de questionar o modelo linear de consumo baseado em extrair, produzir, usar e descartar. É uma convocação à transição para a economia circular, que propõe um fluxo regenerativo, onde os recursos são reaproveitados, os resíduos se transformam em insumos e o impacto ambiental é radicalmente reduzido.

Fomentar a reciclagem em escala exige mais do que ações individuais. Requer uma união entre governos, empresas, centros de pesquisa e a sociedade civil. Políticas públicas consistentes, incentivos fiscais, sistemas de logística reversa e educação ambiental são peças-chave nesse tabuleiro.

O Dia Mundial da Reciclagem, tem como missão divulgar e ampliar a consciência coletiva sobre a necessidade de se reduzir, reutilizar e reciclar. Mas vai além, propondo uma mudança profunda de mentalidade e de ações.

Num Planeta onde a velocidade do consuma desafia os limites da biosfera, a reciclagem se apresenta como uma ação concreta de cuidado com o presente e com o futuro, uma prática que une escolhas individuais a transformações estruturais cada vez mais urgentes para que possamos preservar nosso Planeta para a atual e para as futuras gerações.

No dia 22 de abril, celebramos o Dia da Terra

És o mais bonito dos planetas
‘Tão te maltratando por dinheiro
Tu que és a nave, nossa irmã

(Beto Guedes-Sal da Terra)

Dia da Terra foi celebrado, pela primeira vez, em 1970, nos Estados Unidos. Movidas pela crise ambiental, como o derramamento de óleo, a poluição atmosférica e dos rios, vinte milhões de pessoas foram às ruas protestar. Foi o maior evento cívico do planeta à época e resultou em ações concretas dos governos, como o estabelecimento de leis e agências ambientais. Instituída oficialmente pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2009, a data serve para incentivar governos, organizações não-governamentais e sociedade civil a promover ações que levem à reflexão sobre a importância da preservação do meio ambiente. Para isso, o EARTHDAY.ORG, órgão organizador do Dia da Terra, em todo o mundo, a cada ano estabelece um tema para a data.

Hoje sabemos que os recursos naturais são finitos e que devem ser utilizados de forma sustentável. Apesar disso, a natureza está em crise, ameaçada pela perda de biodiversidade, pela poluição e pelo aquecimento global. O tema pede a todos que explorem escolhas inteligentes de meio de vida para suas famílias e defendam a implantação acelerada e rápida de políticas sustentáveis no seu dia a dia. As pessoas geram resíduos desde a hora que acordam, até a hora que vão dormir, todos os dias de suas vidas, pois de quase todas as ações realizadas no nosso cotidiano, sobram materiais, que perdem a utilidade ou que simplesmente já não queremos mais, e por isso os descartamos.

O volume de lixo aumentou excessivamente ao longo da história, em razão do desenvolvimento tecnológico, da urbanização e da modernização da sociedade, que trouxe uma enorme produção de materiais artificiais, em sua maior parte feitos de plástico descartável.

Graves consequências ambientais e de saúde pública são geradas pelo consumo desenfreado e consequente descarte inadequado de resíduos sólidos.

Na correria do dia a dia, nem nos damos conta do enorme volume de resíduos que geramos, e temos a falsa impressão de que ele desaparece quando o colocamos para fora de casa, para a coleta municipal. A coleta de resíduos sólidos é um serviço especializado no recolhimento desse material. Ocorre que esse resíduo, que descartamos todos os dias, não desaparece como pensamos ou gostaríamos. Eles são levados para aterros sanitários, na melhor das hipóteses, mas infelizmente em alguns lugares do Brasil e do mundo ainda é possível encontrar lixões a céu aberto, algo totalmente inadequado, insalubre e ilegal.

Os resíduos sólidos quando são descartados de forma e em locais inadequados impactam diretamente o meio ambiente e a saúde pública: alguns resíduos sólidos demoram muito tempo para se decompor e ficam se acumulando na natureza; contaminam as águas dos rios, córregos, lagos, mares e oceanos, o que causa graves impactos na biodiversidade, contaminam o ar, o solo e o subsolo; modificam a paisagem, degradando as espécies vegetais locais; causam assoreamento de rios, córregos e lagos; atraem vetores de doenças ; emitem poluentes diversos, em seu processo de decomposição. Tudo isso também causa impactos na saúde psicológica das pessoas devido à poluição visual e ao mau cheiro.

Estamos criando uma dívida com o meio ambiente e vamos pagar juros altíssimos, como escassez de alimentos, erosão do solo e acúmulo de gases de efeito estufa na nossa atmosfera. Mas ainda há tempo de evitar as consequências mais drásticas. Vamos todos fazer a nossa parte, o grupo Rafa Entulhos está fazendo a dele,  vamos preservar o Planeta para a atual e para as futuras gerações.

Da Obra à Obra: como a reciclagem de resíduos está transformando a construção civil

A construção civil é um dos setores que mais consome recursos naturais no mundo — e, ao mesmo tempo, um dos que mais gera resíduos. No Brasil, a maior parte dos resíduos da construção civil (RCC) ainda tem destinação inadequada, sendo descartada irregularmente ou enviada para locais que não promovem qualquer tipo de reaproveitamento.

Esse cenário representa um enorme desafio ambiental, urbano e econômico.

Mas, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade.

O desafio da gestão correta dos resíduos

Gerenciar corretamente os resíduos de uma obra ainda é um obstáculo para muitas construtoras. Falta de estrutura, desconhecimento técnico e, muitas vezes, a percepção de que a destinação adequada gera mais custo acabam contribuindo para práticas inadequadas.

O resultado é conhecido: áreas degradadas, aumento de custos públicos com limpeza urbana e desperdício de materiais que poderiam voltar à cadeia produtiva.

Reciclagem de Gesso no ABC – Usina Rafa Entulhos (Direitos Reservados)

Um novo modelo já é realidade

Apesar desse cenário, algumas construtoras já estão muito à frente — adotando práticas que mostram que é possível unir sustentabilidade, eficiência e economia.

Essas empresas estão implementando um modelo mais inteligente:
• Enviam seus resíduos para usinas de reciclagem devidamente licenciadas
• Garantem a destinação ambientalmente correta dos materiais
• E recebem de volta agregados reciclados (AR) para utilização em novas obras

Esse ciclo cria uma verdadeira lógica de economia circular dentro da construção civil.

Agregados reciclados: solução técnica e ambiental

Os agregados reciclados podem ser utilizados em diversas aplicações, como:
• Regularização de solo
• Sub-base e base de pavimentação
• Obras de infraestrutura
• Concretos não estruturais

Além de reduzir a extração de recursos naturais como areia e brita, o uso de AR contribui diretamente para a diminuição dos impactos ambientais da obra.

Reciclagem de entulho no ABC – Usina Rafa Entulhos (Direitos Reservados)

Eficiência logística: menos caminhões, mais resultado

Outro benefício importante desse modelo está na logística.

As usinas de reciclagem deixam de ser apenas destino final dos resíduos e passam a atuar também como fornecedoras de materiais. Com isso, é possível otimizar o transporte:
• O caminhão que leva o resíduo pode retornar com agregado reciclado
• Redução de viagens vazias
• Menor circulação de caminhões nas cidades
• Diminuição de custos logísticos e emissões

Esse aproveitamento de fretes é um ganho direto tanto econômico quanto ambiental.

Casos que inspiram o setor

Já existem grandes construtoras em São Paulo que adotam esse modelo de forma consistente, estruturando seus canteiros para segregação de resíduos, firmando parcerias com usinas e incorporando agregados reciclados em seus projetos.

Esses exemplos mostram que:
• É viável operacionalmente
• É seguro tecnicamente
• E pode gerar economia real para as obras

Mais do que isso, demonstram que a mudança de cultura no setor já começou.

Reciclagem de entulho no ABC – Usina Rafa Entulhos (Direitos Reservados)

O futuro da construção passa por aqui

A construção civil está passando por uma transformação. Sustentabilidade deixou de ser diferencial e passou a ser necessidade.

Adotar a reciclagem de resíduos e o uso de agregados reciclados não é apenas uma escolha ambiental — é uma decisão estratégica.

É possível construir melhor, reduzir impactos e ainda otimizar custos.

Um convite ao setor

Se sua construtora ainda não faz parte desse movimento, este é o momento de começar.

Existem soluções disponíveis, tecnologia aplicada e parceiros preparados para apoiar essa transição.

A mudança já está acontecendo — e quanto antes você fizer parte dela, maior será o ganho para o seu negócio, para o meio ambiente e para as cidades onde atuamos.

O Transporte de Resíduos da Construção Civil: O Elo Esquecido na Gestão Municipal

Os resíduos da construção civil (RCC) são os resíduos sólidos urbanos mais gerados em termos de massa nas cidades. No entanto, o tema segue em segundo plano na gestão municipal, resultando em um mercado desorganizado e repleto de desafios. Em especial, o setor de transporte, que deveria ser um elo estruturante na cadeia da destinação correta dos RCC, permanece marginalizado, dificultando o avanço de soluções efetivas.

O Papel do Transporte e Seu Esquecimento na Gestão Pública

Na prática, o transportador de RCC assume o protagonismo do setor, sendo responsável por levar os resíduos das obras até as unidades de destinação. No entanto, esse setor é frequentemente ignorado pelo poder público, que pouco regulamenta e fiscaliza suas atividades. Como resultado, práticas irregulares, como o descarte clandestino, tornam-se economicamente mais viáveis do que o encaminhamento correto dos resíduos.

Esse abandono impacta diretamente a implementação de unidades de destinação e reciclagem. Sem uma regulamentação que torne o descarte correto obrigatório e fiscalizável, essas unidades se tornam inviáveis economicamente, uma vez que concorrem com o descarte irregular. O resultado é um ciclo vicioso onde o problema persiste e se agrava.

Regulamentação e Fiscalização Inteligente: O Caminho para Soluções Efetivas

Para reverter esse cenário, é fundamental que os municípios adotem como prioridade a regulamentação do setor de transporte de RCC. No entanto, essa regulamentação precisa ser elaborada por especialistas que compreendam a realidade do mercado e as dificuldades do setor. Regras mal formuladas podem gerar ainda mais burocracia e não solucionar o problema.

Além disso, a fiscalização deve ser robusta e eficaz. Hoje, existem sistemas eletrônicos capazes de rastrear o transporte de resíduos, garantindo que os materiais sejam destinados corretamente e coibindo o descarte clandestino. A tecnologia já está disponível, faltando apenas a sua adoção pelos municípios.

Educação Ambiental e Conscientização do Gerador

Outro pilar essencial para a solução desse problema é a educação ambiental. O gerador de resíduos, que muitas vezes busca a alternativa mais barata, precisa ser conscientizado sobre sua responsabilidade legal e ambiental. Campanhas educativas e informativas são fundamentais para criar uma cultura de destinação correta, onde a escolha pelo descarte irregular se torne socialmente inaceitável.

A gestão dos resíduos da construção civil não pode mais ser tratada como secundária. Seu impacto ambiental e econômico exige medidas urgentes e estruturadas. A regulamentação do transporte, aliada à fiscalização eficiente e à educação ambiental, pode transformar o setor, promovendo o desenvolvimento de um mercado sustentável e eliminando o descarte irregular. O poder público precisa agir agora, ouvindo especialistas e implementando soluções eficazes para um problema que afeta todas as cidades.

O descarte irregular também é um problema de saúde pública

Por último, mas não menos importante, um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) confirma que, para cada dólar investido pelos municípios em água e saneamento, são economizados 4,3 dólares em custos com saúde. O descarte irregular de resíduos da construção civil contribui para a degradação ambiental, o entupimento de sistemas de drenagem e a proliferação de doenças. Assim, além dos impactos ambientais e econômicos, a falta de gestão desse setor representa um risco direto à saúde da população, tornando ainda mais urgente a adoção de medidas eficazes.

DESCARTE IRREGULAR

POIS É, 2025 COMEÇANDO, PREFEITOS ELEITOS E REELEITOS INICIANDO SEUS MANDATOS. A POPULAÇÃO ANSIOSA PARA VER ANTIGOS PROBLEMAS RESOLVIDOS.

EIS QUE SURGE UM “GÊNIO” TIRANDO DA CARTOLA UMA SOLUÇÃO MARAVILHOSA PARA RESOLVER O PROBLEMA DE DESCARTE IRREGULAR DE RESÍDUOS EM SEU MUNICÍPIO.

“AQUI SÓ JOGA LIXO QUEM É CORNO”, DIZ A PREFEITURA DE UMA CIDADE MINEIRA EM CAMPANHA SOBRE DESCARTE IRREGULAR DE LIXO.

CARTAZES FORAM ESPALHADOS PELO MUNICÍPIO E O PREFEJTO PUBLICOU VÍDEOS EM SEU INSTAGRAM APELANDO PARA QUE A POPULAÇÃO LEVE SEU LIXO ATÉ O ECOPONTO MUNICIPAL.

EM RESPEITO A POPULAÇÃO DO REFERIDO MUNICÍPIO, OMITIMOS AQUI SEU NOME E O NOME DO PREFEITO.

DE ACORDO COM O MUNICÍPIO, TRATA-SE DE UMA “CAMPANHA DE CONSCIENTIZAÇÃO DESCONTRAÍDA”

A MATÉRIA PODE SER ACESSADO NO LINK: https://www.terra.com.br/planeta/noticias/aqui-so-joga-lixo-quem-e-corno-diz-prefeitura-de-cidade-mineira-em-campanha-sobre-descarte,87942a4d621d462293f44e42764b7a72huach403.html?utm_source=clipboard

Em 2024, o Brasil tinha 5.570 municípios, de acordo com o IBGE. O IBGE considera Brasília como “município equivalente” ao Distrito Federal, e o distrito estadual de Fernando de Noronha, PE, como “município equivalente”.  Ao considerar a população brasileira estimada pelo IBGE e, a geração per capita de 500 Kg/hab por ano, podemos estimar a geração de resíduos da construção civil em 106,3 Mt/ano (fonte ABRECON pesquisa setorial 2024).

 DESCARTE IRREGULAR: ESTIMA-SE QUE, EM 2022, 70% DOS RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO NO BRASIL FORAM DESCARTADOS DE FORMA IRREGULAR (FONTE: ABRECON 2023).

 

O descarte irregular de entulho causa danos ambientais, à saúde pública e à infraestrutura.

Danos ambientais:

    • Poluição do solo e da água
    • Emissão de gases de efeito estufa
    • Prejuízo à biodiversidade
    • Contaminação de lençóis freáticos
    • Obstrução de sistemas de drenagem
    • Instabilidade do solo
    • Abrigo e alimento para insetos e animais considerados praga urbana

Danos à saúde pública:

    • Aumento do risco de contrair doenças como dengue e zika
    • Contaminação da água utilizada para consumo humano
    • Problemas de saúde pública

Danos à infraestrutura, Obstrução de vias públicas, Alagamentos em períodos de chuva, Danos às estruturas urbanas.

Segundo estudos da Organização Mundial da Saúde, para cada dólar investido pelo município em tratamento de água e saneamento, são economizados 4,3 dólares em gastos com a saúde, o descarte irregular de entulho também é problema de saúde.

Durante anos essa prática tem sido negligenciada e vem onerando os cofres públicos fortemente, cofres esses que também pertencem aos cidadãos.

Para reverter esse cenário, é fundamental que os municípios adotem como uma das suas prioridades a regulamentação do setor de coleta, transporte e destinação final dos resíduos produzidos ou descartados em seu território. Municípios com regras mal elaboradas podem gerar ainda mais danos ao município.

Além disso, a fiscalização deve ser intensa e eficaz hoje já existem sistemas eletrônicos capazes de rastrear toda as movimentações dos resíduos. Desde a geração até o destino final ambientalmente correto.

Educação ambiental e conscientização dos geradores

Esse é um pilar fundamental para a solução desse problema. O gerador de resíduos, que muitas vezes procura a alternativa mais barata, precisa ser conscientizado sobre sua responsabilidade legal sobre seus resíduos.

Campanhas educativas e informativas são fundamentais para criar uma cultura de destinação correta ambientalmente.

A gestão dos resíduos da construção civil não pode mais ser tratada como um tema secundário. Seu impacto ambiental e econômico exige medidas urgentes e estruturantes. O poder público precisa agir agora, implementando soluções eficazes para um problema que afeta todos os municípios do Brasil.

O que tem sido feito até agora é muito pouco ou quase nada. Precisamos de políticos comprometidos com uma mudança real, que priorizem a vida das populações que lhes foram confiadas e não seus interesses pelo poder e pelo lucro imediato.

Não podemos continuar como um rebanho caminhando rumo à destruição sem fazer nada a respeito.

Acordemos para o que está acontecendo e vamos reagir enquanto é tempo, não é justo o que estamos fazendo para com a atual e para as futuras gerações.

Todos temos um papel crucial neste processo, precisamos acordar e reagir, não somos ovelhas, não precisamos caminhar para o matadouro, podemos escolher outro caminho, o caminho da vida. 

 

 

consumismo

CONSUMISMO | PASSIVO AMBIENTAL

Alimentação, higiene, vestuário, lazer, transporte, mobiliários, eletrônicos, construção civil, atividades esportivas e profissionais. Todas essas ações geram algum tipo de impacto ambiental ou passivo ambiental. Desde o momento em que nascemos até o presente dia, estamos consumindo cada vez mais e gerando o “nosso” passivo ambiental.

consumismo

O nosso planeta vive a Era do Consumismo. Ouvimos falar em pegada de Carbono, emissões de gases de efeito estufa, créditos de Carbono, esgotamento das reservas naturais, aquecimento global e por aí vai.

As gerações mais novas culpam as gerações mais antigas que, segundo eles, são as causadoras de tudo o que está ocorrendo nos dias atuais.

Outro dia, presenciei o seguinte diálogo na fila de um supermercado, onde o caixa dizia a uma senhora que ela deveria trazer suas próprias sacolas para levar as compras, uma vez que as sacolas plásticas não são “amigas” do meio ambiente.

A senhora então pediu desculpas e disse que antigamente não existia essa “onda” verde.

O caixa então respondeu que esse é exatamente o problema hoje, a sua geração não se preocupou o suficiente com o nosso meio ambiente.

Você está certo respondeu a senhora. As gerações antigas não se preocuparam adequadamente com o meio ambiente.

Antigamente, as garrafas de leite, de refrigerante, cerveja e outras eram devolvidas aos mercados que as mandavam de volta para suas respectivas fábricas, para suas reutilizações.

As fraldas dos bebês eram lavadas, porque não existiam fraldas descartáveis; a secagem era feita por nós mesmos, utilizando energia solar e eólica que realmente secavam nossas roupas.

Na cozinha, tudo era feito manualmente pois não existiam aparelhos elétricos que fazem tudo por nós. Quando enviávamos algo frágil pelo Correio, usávamos jornais velhos como proteção e não plástico tipo bolha que demora séculos para degradar. Antigamente não se usava cortadores de grama elétricos ou a gasolina, o cortador utilizado exigia músculos, era um exercício extraordinário e não precisávamos ir a uma academia e usar esteiras elétricas para nos exercitar.

Bebíamos agua diretamente das fontes em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora poluem os oceanos, já sendo encontradas nos estômagos dos animais marinhos.

plástico

Teríamos uma lista de comparações intermináveis, então não é incrível que as atuais gerações falem tanto em “onda verde”, mas não abrem mão de nenhuma modernidade que lhes proporcionam um conforto efêmero e passageiro, não sustentável como antigamente?

(Texto adaptado de autor desconhecido)

Fala-se em reciclagem, mas não lembram que nosso Planeta não é reciclável, suas fontes de recursos são finitas.

Já passou da hora de repensarmos em diminuir o consumismo, termos atitudes sustentáveis, ainda dá tempo de preservar nosso Planeta para a atual e para as futuras gerações. Pense nisso, a mudança começa em nós mesmos, em nossos hábitos.

O Planeta Terra agradece.

catástrofe

Projetos DIY com Materiais Reciclados

Grandes produtores estão adotando no Brasil práticas para transformar resíduos em novos produtos e impulsionar a economia circular.

E nós, pequenos consumidores, o que podemos fazer?

A resposta está na aplicação, em nosso dia a dia, de dois conceitos muito usados hoje em dia para fomentar o reaproveitamento de materiais que seriam simplesmente descartados e de objetos usados que, para nós, já não tem mais serventia.

O primeiro conceito é o de UPCYCLING, nome dado a técnica que consiste em, com criatividade, dar um novo e melhor propósito para um material que seria descartado, sem degradar a qualidade e composição desse material.

Apesar de não ser uma prática nova, nos últimos tempos está em moda no universo sustentável.

Essa prática reduz a quantidade de resíduos produzidos que passariam anos em aterros sanitários, diminui a necessidade de exploração de matéria prima para geração de novos produtos, menos petróleo explorado, menos árvores derrubadas, menos minérios extraídos da natureza, proporcionando uma economia significativa de água e de energia. Essa prática é um dos grandes exemplos do conceito de Economia Circular, que propõe que resíduos sirvam de insumo para a produção de novos produtos e, que está ao alcance de todos nós.

Outra grande vantagem do UPCYCLING é que ele incentiva o conceito do “FAÇA VOCÊ MESMO” (DO IT YOURSELF), que nada mais é do que estimular as pessoas a fazerem coisas com as próprias mãos ao invés de comprarem novos produtos.

Dicas de DIY e UPCYCLING para móveis e decoração

Com criatividade é possível transformar móveis e itens antigos em peças únicas e sustentáveis, com a sua personalidade (Natasha Olsen).

Consumir de forma consciente e aproveitar ao máximo aquilo que já temos são atitudes ótimas para o nosso bolso, nossa saúde mental e para o planeta. Quando se trata de móveis e itens de decoração, essa lógica traz ainda mais benefícios, pois esses produtos devem durar muitos anos e, trazem consigo um pouco da nossa história.

Mesmos quando nossos móveis vão ficando mais antigos ou a gente enjoa um pouco deles é possível usar o DIY e o UPCYCLING para dar uma cara nova ao que já está em nossa casa, permitindo criarmos peças originais a partir de peças e materiais que, de outra forma, seriam descartados.

Pallets e caixotes são exemplos populares que podem ser facilmente transformados em mesas de centro, prateleiras, sofás, estantes, gaveteiros, poltronas reformadas com tecido reciclado, pufes usando pneus velhos e capas de tecido reciclado, entre outros.

A ideia é que os produtos sejam reutilizados, recriados e ressignificados em vez de serem substituídos e descartados, utilizando técnicas simples, como pintura e lixamento, até projetos criativos mais complexos, com desmontagem e reconstrução de peças para novos usos.

Acessórios decorativos

Além dos móveis, os acessórios decorativos são ótimas soluções trazidas pelo DIY e pelo UPCYCLING. Peças menores como luminárias, quadros e porta objetos podem ser criadas a partir de objetos simples como garrafas, latas ou até utensílios de cozinha antigos.

Uma garrafa de vidro pode ser transformada em um vaso de flores, enquanto uma escada de madeira antiga pode se tornar suporte para toalhas ou prateleira para livros ou vasos de plantas.

Para começar seu próprio projeto DIY com UPCYCLING, siga alguns passos práticos:

  1. Escolha o material: opte por objetos que possam ser transformados como pallets, garrafas de vidro ou de pet, caixotes ou móveis antigos.
  2. Defina o objetivo: planeje o que deseja criar com a peça, seja um móvel, um acessório decorativo ou algo funcional.
  3. Prepare os materiais, limpe, lixe e pinte os objetos, se necessário para dar a eles um novo visual.
  4. Solte a criatividade, combine cores, texturas e acessório que complementem o ambiente.
  5. Finalize com acabamentos que garantam durabilidade e um toque pessoal.

Aproveite o final de ano e comece seus projetos com uma decoração de Natal sustentável.

Vamos fazer a nossa parte, o nosso planeta agradece.

Especialistas da Reciclagem EP01 | Levi Torres

  1. Quais são os maiores desafios enfrentados pela indústria de reciclagem de RCD atualmente?

O maior desafio para a reciclagem de entulho atualmente é a ausência de uma agenda ambiental por parte das prefeituras e estados. Além disso, há uma cultura resistente quanto ao uso de agregado reciclado, especialmente na sua utilização em pavimentação e na construção civil.

Outro obstáculo são os mais de 3000 lixões existentes no Brasil que concorrem de forma ilegal e clandestina com os locais licenciados e legalizados. Além de crime, comprometem a qualidade da água, do solo e do ar.

  1. Como a conscientização do público sobre a importância da reciclagem de entulho tem evoluído nos últimos anos?

Há uma consciência sobre os problemas ambientais, porém, tanto as construtoras como os órgãos públicos pouco fazem para avançar com mais agilidade. O resultado é um número recorde de lixões no Brasil e o completo abandono por parte das prefeituras e do Governo Federal de uma agenda ambiental que estimule o mercado a destinar e reciclar os resíduos.

A gestão correta dos resíduos é uma iniciativa muito isolada e não é a realidade das construções no Brasil, seja pela dificuldade de o engenheiro não entender o negócio ou até pelo custo. É muito barato gerar entulho, e mais barato ainda transportar

  1. Quais materiais são mais difíceis de reciclar e por quê?

A construção civil cria e inova e em muitos casos inviabiliza e encarece a destinação dos resíduos.

Atualmente os resíduos com maior dificuldade em se reciclar são aqueles misturados. Isso acontece devido a falta de gerenciamento e separação do material na origem, nas obras.

A dificuldade em destinar ou reciclar se dá pela inviabilidade técnica ou financeira, ou seja, é muito caro fazer o tratamento e às vezes impossível devido a contaminação dos materiais.

  1. Como o uso de tecnologia pode melhorar os processos de reciclagem e aumentar a eficiência?

A tecnologia pode elevar a produtividade da construção e das usinas de reciclagem de RCD (Resíduos da Construção e Demolição), sobretudo quando reduz o esforço operacional e auxilia a mão de obra na separação e gerenciamento dos resíduos.

Um exemplo disso são os equipamentos dotados com sopradores, sugadores e leitura ótica com limpeza, separação e até classificação dos resíduos. Essas tecnologias têm o potencial de substituir os esforços humanos na triagem e focar energia no negócio.

  1. Qual é o papel das políticas governamentais no fortalecimento da reciclagem? Há algo que você acredita que poderia ser melhorado?

Considero que há um significativo avanço em conhecimento e conteúdo sobre a reciclagem de entulho no Brasil nesses últimos dez anos. A Abrecon tem pautado a inteligência nos projetos e a adequação da usina de reciclagem ao universo local, ou seja, não é possível abrir uma unidade de reciclagem de RCD num mercado sem regulação, bem como, não dá pra vender agregado reciclado em regiões com o agregado natural barato.

  1. Quais são as melhores práticas para empresas que desejam implementar programas eficazes de reciclagem?

É importante entender que a destinação correta dos resíduos já atende a todos os critérios ambientais, portanto, o simples fato de separar os resíduos no canteiro de obras já ajuda na destinação do material.

Outro fator importante para implementar um plano audacioso para a destinação correta dos resíduos é o planejamento dos materiais e da mão de obra. O planejamento minucioso da obra tem o potencial de economizar dinheiro, mão de obra e tempo.

  1. Como a reciclagem pode ajudar a reduzir a pegada de carbono de uma cidade ou comunidade?

A reciclagem poupa energia, recursos naturais e estimula a geração local de trabalho, emprego e renda.

  1. Você acredita que o modelo de economia circular está sendo implementado de forma adequada? Quais seriam os próximos passos?

Não há nenhuma iniciativa plausível no segmento de resíduos da construção e demolição, muito menos atitude da indústria da construção para desenvolver ferramentas no sentido de uma economia verde e circular.

  1. Quais são os mitos mais comuns sobre reciclagem que precisam ser desmistificados para o público?

Há uma ideia de que não há locais para reciclar entulho em São Paulo e no Brasil. O mito está assentado na condição de as pessoas não verem notícias sobre o ramo e não entenderem o negócio. Muitas políticas públicas são construídas com um base informacional muito frágil e sentenças equivocadas sobre o produto e o processo.

  1. Que conselhos você daria para indivíduos e famílias que desejam começar a reciclar de maneira mais eficaz em suas casas?

Antes da obra ou reforma, reserve um tempo para o planejamento e discuta com o responsável uma forma de usar materiais sustentáveis ou passíveis de fácil destinação

reciclados que você não conhece

Alguns materiais que podem ser reciclados e que talvez você não saiba como fazer de maneira correta

Você acorda, dá uma olhada nas notícias e repara que todo dia é aquecimento global, redução das emissões de gases de efeito estufa e por aí vai. E, então você fica pensando: e eu com isso?

Nunca se falou tanto em reciclar, em sustentabilidade, em aquecimento global. Será que é só conversa ou nós podemos contribuir? Muitos de nós pensamos que se fizermos tudo o que falam não vai adiantar nada, sou só um neste cenário. Aí que está o erro!

Se você fizer a sua parte, conversar com vizinhos, família, amigos, esse número logo crescerá significativamente e logo mais e mais pessoas estarão contribuindo para minimizar todos esses problemas que os descarte irregulares dos resíduos causam ao nosso Planeta. Lembre-se que para vencer uma maratona é preciso dar o primeiro passo. Menos de 18% de tudo o que produzimos e consumimos está sendo reciclado atualmente, apesar do potencial de reutilização e reciclagem de mais de 90% desses materiais. Estima-se que mais de 81% de tudo o que é produzido e consumido pelos humanos acaba como poluentes enterrados em aterros sanitários, despejados em corpos d’água ou queimados na atmosfera. O lixo e a falta de incentivos suficientes para reciclagem representam riscos à nossa saúde, ao meio ambiente, à nossa segurança alimentar e hídrica e aos meios de subsistência das gerações futuras. Alguns exemplos de ações de reciclagem que podemos praticar no nosso dia a dia:

1 – Esponjas de lavar louças

Item comum na cozinha do brasileiro, a esponja de lavar è composta por materiais plásticos de difícil reciclagem. Por esse motivo, o produto é recusado nas coletas seletivas e, geralmente, termina seus dias sobrecarregando aterros sanitários. Um resíduo só pode ser
considerado reciclável quando os custos logísticos e de processamento são inferiores ao valor de venda do material reciclado. Como, por exemplo, acontece com as latinhas de alumínio. Contudo, este não é o caso da esponja, composta por espuma polimérica e poliuretânica, que após lavagem passa por um processo termomecânico que forma “espaguetes” de plástico; esses “espaguetes” são cortados e transformados em grânulos chamados pelletes, a serem reintroduzidos na cadeia produtiva e usados na indústria do plástico para criar outros objetos.

2 – Óleo de cozinha usado

O descarte do óleo de cozinha errado não deve ser feito no ralo da pia, no vaso sanitário e nem com o lixo orgânico, pois esses destinos incorretos levam à contaminação dos mananciais, do solo e da atmosfera.
Entre as formas de reciclagem do óleo de cozinha usado, a mais importante é a produção de biodiesel.

Além disso, a reciclagem de óleo de cozinha usado pode ser utilizada para produzir massa de vidraceiro, ração animal, resinas para tintas, adesivos e outros produtos; a utilização para a fabricação de sabão caseiro, apesar de ser muito popular, hoje em dia não é recomendada pois o efluente proveniente de sua utilização ainda possui potencial de contaminação.

3 – Medicamentos

O descarte de medicamentos deve ser feito em locais adequados (pontos de descarte em farmácias, supermercados, postos de saúde), evitando os riscos de contaminação do solo e do lençol freático. Não é necessário destacar os comprimidos das cartelas e os remédios líquidos devem estar em embalagens fechadas. Para o descarte de seringas e agulhas o ideal é que elas sejam armazenadas em um recipiente rígido para evitar acidentes e contaminações. Já as caixas de medicamentos e as bulas que não tiveram contato com os remédios devem ser encaminhados para a reciclagem de papel/papelão.

4 – BOPP EMBALAGENS

Essa película é um tipo de filma plástico encontrada em embalagens de salgadinhos, biscoitos, barrinhas de cereais e muitas outras embalagens. O seu descarte correto permite que seja inserido novamente na cadeia de fabricação de novas embalagens, Para saber mais detalhes acione o S.A.C. do fabricante do produto.

5 – LIXO ELETRÔNICO

O Brasil é um dos países que mais produzem lixo eletrônico no mundo e, embora seja uma atitude equivocada, muitos acabam descartando uma pilha, um mouse, um celular antigo ou uma bateria no lixo comum.
Para reciclar esses resíduos o correto é leva-los a lojas ou pontos de entrega voluntária que possuem recipientes destinados a receber lixo eletrônico.

6 – LÂMPADAS

Um dos descartes irregulares mais impactantes ao meio ambiente é o das lâmpadas fluorescentes, pois são altamente tóxicas e não podem ser descartadas no lixo comum. O correto é levá-las a uma loja de materiais de construção que possuam pontos de coleta destinado para este tipo de resíduo.

7 – PILHAS E BATERIAS

A responsabilidade por recolher e encaminhar adequadamente pilhas e baterias pós uso é do fabricante das mesmas. Portanto, esses materiais usados devem ser entregues aos estabelecimentos que os comercializam ou às assistências técnicas autorizadas para seu encaminhamento as fabricantes ou importadoras. O descarte irregular pode resultar em diversas complicações, desde a contaminação do solo e da água até a propagação de doenças entre pessoas e animais.
Outro cuidado é com relação às pilhas “piratas”, de procedência duvidosa, podem conter materiais muito mais tóxicos do que os produtos regulamentados.

É importante observar se na embalagem do produto consta que a pilha pode ser descartada no lixo comum. As pilhas alcalinas
não contém metais pesados em sua composição, já as pilhas comuns e as recarregáveis contém mercúrio, cádmio e chumbo e devem ser devolvidas aos fabricantes.

8 – CAPSULAS DE CAFÉ

A Nestlé Nespresso AS, companhia de cápsulas, máquinas e cafés porcionados, firmou parceria com a Natura, fábrica de cosméticos, para que as bisnagas dos cremes hidratantes da linha Ekos Castanha passem a utilizar o alumínio reciclado das cápsulas de Nespresso em sua composição, reaproveitando mais de duas toneladas de cápsulas ao ano. A parceria já conta com 400 pontos de coleta das capsulas espalhados pelo Brasil, além de pontos de entrega nas “Boutiques Nespresso”.

9 – ROUPAS USADAS

Todos os anos, são geradas cerca de 170 mil toneladas de resíduos têxteis no Brasil e somente 20% são reciclados. Os outros 80% (135 mil toneladas) acabam em aterros sanitários ou no meio ambiente, de acordo com dados do Sebrae e do relatório Fios da Moda. O lixo têxtil é uma ameaça ao meio ambiente. Globalmente, o setor é responsável por até 10% das emissões de gases do efeito estufa (GEE), segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), e o tingimento de tecidos é o maior poluidor de fontes de água no planeta.

9_1 – Meias usadas

No projeto Meias do Bem, da Puket, cada 40 pares de meias velhas (de qualquer fabricante) viram um cobertor para quem passa frio. Para descartar procure uma loja Puket ou acesse seu site.

9_2 – Sobras de tecido novo

Pedaços de pano sem uso, como retalhos que sobraram de uma toalha de mesa ou cortina, podem ser levados ao Banco de Tecido. Depois de pesados, eles geram um crédito em quilos de tecido que você pode trocar por outros tecidos da loja. Desde o começo da iniciativa, 30 toneladas de tecido já foram circuladas.
Onde: Rua Aliança Liberal, 1012, Vila Leopoldina

9_3 – Lingeries

O projeto Doe Esperança, da Hope, arrecada e doa calcinhas, sutiãs e pijamas para pessoas em vulnerabilidade social. Após recolhidas, essas peças (de qualquer marca) são desinfetas e higienizadas para serem entregues a ONGs, fundações ou entidades. Mas importante: as peças doadas devem estar sem rasgos e em bom estado para uso, ok?
Onde: uma das lojas Hope participantes – na capital paulista são dez

9_4 – Uniformes de empresas

O programa Retalhar recebe uniformes usados por funcionários de empresas parceiras e eles passam por um processo em que o tecido é triturado, desfibrado e reinserido no setor produtivo. O antigo uniforme vira matéria-prima para setores como construção civil e indústria automobilística, por exemplo.
Onde: Rua Brasilândia, 354, Barueri

9_5 – Roupas que não usa mais

O Ecoestilo é um programa de logística reversa da Renner. As roupas entregues passam por uma triagem e podem ter dois destinos: a reciclagem ou a reutilização. Na primeira opção, os itens são transformados em fio novamente, podendo virar outras roupas. Já na reutilização, as peças são transformadas em novos produtos ou doadas para entidades.
Onde: lojas Renner com coletores

MOTIVOS PARA RECICLAR

A importância da reciclagem está ligada ao desenvolvimento sustentável, que engloba não só o meio ambiente mas também aspectos sociais, econômicos e de saúde, isso porque quando descartamos os resíduos de forma correta, agregamos valor ao processo e ao novo material que será produzido, pois melhoramos os índices de reaproveitamento, barateamos os custos de produção e estimulamos o crescimento das cadeias de reciclagem, reduzimos a quantidade de rejeitos que iriam para aterros ou que seriam descartados de forma irregular, diminuímos o consumo de novas matérias primas, gerando, inclusive, mais empregos e aumentando a geração de renda para aqueles que fazem o principal trabalho para essa cadeia se movimentar, que são os “catadores”, reduzimos o consumo de energia e de água na fabricação de novos produtos.

Estamos vivendo tempos de graves mudanças climáticas com ondas de calor, chuvas intensas, ventos cada vez mais fortes que estão assolando nosso País, acarretando prejuízos e perdas de vidas, pois as cidades não estão preparadas vara vivenciar esses eventos, cada dia mais constantes.

Pense nisso, reflita, reveja seus hábitos, ainda dá tempo, nosso Planeta agradece!

Caçambas de entulho: os órfãos das políticas públicas de proteção ambiental

Esse mercado cresceu baseado na ilegalidade, descartando entulho em espaços clandestinos, lagos e lagoas, rios e até no mar, sem o mínimo de regras e com respaldo da população e do poder público. Embora isso ainda seja a realidade de grande parte do país, a regulamentação do transporte de resíduos avança nas capitais e cidades médias em virtude dos impactos nocivos dos aterros clandestinos ao meio ambiente, aos animais, às águas e à população, que sofre com as queimadas de lixo nos aterros clandestinos em direção às moradias.

O transporte de resíduos da construção é um setor composto basicamente por empresas com caminhões basculantes, caçambas estacionárias, carroceiros e fretes.

Não há dados públicos sobre os carroceiros, aqueles que transportam resíduos da construção e recicláveis com tração animal ou humana, porém, não são a maioria em número nem em volume. Diferente do transporte por caçamba basculante ou estacionária, esses atores estão presentes em cidades médias e grandes e sempre utilizam a estrutura pública, seja os ecopontos ou terrenos baldios e não estão dedicados ao entulho, ou seja, estão na função em virtude da precarização do trabalho, das condições sociais ou da necessidade momentaneamente.

Um dado que enriquece a discussão é o valor dos serviços de remoção e transporte de RCD. De acordo com os dados mais recentes da Pesquisa Setorial Abrecon 2022, a média de preço das empresas (caçamba de entulho) respondentes é de R$ 250,00.

Obviamente nós estamos falando da média de valores das caçambas estacionárias, desconsiderando cidades e regiões onde o poder de compra está reduzido ou culturalmente há mais aterros clandestinos, o que puxa o valor de locação da caçamba pra baixo.

O transporte de RCD é basicamente o papel de alguém que faz a ligação entre o gerador e o destinatário, assim temos a caçamba sendo usada para descartar o entulho e, ao final, sendo levada para uma usina de reciclagem de entulho, aterro de inertes ou uma ATT – Área de Transbordo e Triagem.

O transporte de entulho ou resíduos da construção é o nome correto, todavia, alguns chamam de entulheiro, caçambeiro e até lixeiro.

Esse segmento é imprescindível para a construção civil, mas não recebe tratamento respeitoso e digno das construtoras, sobretudo pelos preços praticados e pela rotatividade de fornecedores, em geral trocados pelo fornecedor (transportadores) mais barato com maior tempo de estacionamento da caçamba estacionária. Essa prática invariavelmente está concatenada a descarte clandestino ou a venda ilegal do resíduo para aterramento ou elevação do greide (aterramento para elevar o terreno).

O transporte de resíduos, a caçamba de entulho, o próprio resíduo são elementos presentes em nosso dia a dia, em cada viagem que fazemos para o trabalho ou no retorno para casa, na construção, no reparo, nas enchentes, catástrofes, enfim, está em todo lugar, contudo, absurdamente não tem uma abordagem profícua em nenhum plano de resíduos e, ao menos, alguém que olhe para o negócio como importante ou o desvelo necessário para entender a relação desse segmento com os reais problemas do entulho no Brasil.

Sob a batuta dos órgãos públicos municipais, não há uma ação efetiva para garantir a segurança dessas empresas e preservar o meio ambiente, assim, mesmo os transportadores de resíduos da construção sendo essenciais em pandemias, epidemias, surtos, catástrofes ambientais, enchentes e ambientes hostis, são invariavelmente colocados de lado em políticas públicas, escanteados na abordagem ambiental, planos municipais e estaduais de resíduos sólidos e estímulos econômicos ou financeiros.

É a regra. Não há sequer um capítulo nos planos estaduais e no Planares (Plano Nacional de Resíduos Sólidos) sobre o transporte de resíduos da construção, suas dores, seus desafios, nada.

É fato que o segmento de transporte de resíduos é o maior vetor de poluição ambiental. Também é fato que, embora esteja na lei e já seja reconhecido por algumas prefeituras, é um negócio que resiste a admitir a responsabilidade do gerador sobre o resíduo.

Sim, o transportador pensa que ele é o responsável pelo resíduo. Estranho, mas real.

No Brasil real, nos rincões do país, onde a lei funciona como sugestão e não há controle do que se gera, transporta e destina, o que acontece na maior parte do interior, é o transportador que leva o entulho para um terreno baldio, para uma área alagada, para o rio, para o mar e até para o aterramento de áreas para a construção de novas moradias ou favelas.

Assim temos uma receita que envolve a negligência do poder público, diminuto em fiscalização e regulamentação, sem regras para a geração, transporte e destinação, o caçambeiro assumindo a responsabilidade não apenas pelo transporte mas também pelo gerenciamento e destinação do RCD e uma sociedade sedenta em resolver seus problemas o mais rápido possível no menor preço e sem responsabilidade legal.

Quando a TV aborda matérias jornalísticas sobre os aterros clandestinos de lixo e entulho, nunca, absolutamente NUNCA, cobram as construtoras. Isso passa objetivamente por uma noção extremamente superficial do jornalista sobre a questão ambiental.

Aqui vale um debate sobre como as cidades estão discutindo essa questão. Precisamos discutir a baixíssima qualificação das secretarias e divisões de meio ambientes para propor solução para a gestão dos resíduos da construção. Isso passa por uma visão malograda dos estados que, por sua vez, não tem orientação e empenho do Ministério do Meio Ambiente.

Um aterro clandestino é o resultado de anos e anos de omissão e corrupção do poder público e das construtoras numa cultura financiada por lobbies fortíssimos que culmina no transportador, ou seja, toda a cadeia está se equilibrando no caçambeiro para ostentar seus números na gestão ambiental.

Então temos uma cadeia com poderes, afazeres e responsabilidades totalmente discrepantes. A gestão correta dos resíduos, isto é, a separação dos resíduos no canteiro de obras, a escolha do melhor material para a obra, do método de construção, correção e demolição e manutenção inexiste no gerador.

Pare, olhe e escute: Não existe gestão dos resíduos na maioria das construtoras.

Dessa forma é conveniente uma construtora vangloriar-se de dados sobre a destinação e reciclagem dos resíduos, que convencem uma porção significativa da sociedade, mas é obrigação dela se assegurar da destinação correta do entulho e não colocar toda a responsabilidade no elo mais frágil da cadeia – o caçambeiro.

É confortável para uma construtora vender seu imóvel com uma camada de verniz ambiental, sem fazer absolutamente nada. Ainda, essa mesma construtora participa e estimula o desmonte de políticas ambientais por meio de seu sindicato, senta-se com prefeitos, governadores e até presidente, e até assume compromissos ambientais, que sutilmente são anulados nos departamentos de compra, contratando empresas transportadoras baratas que descartam seus resíduos em qualquer lugar em troca de um papel – o CTR ou MTR.

Os transportadores são órfãos de políticas públicas por não estarem à mesa de discussão, não serem organizados e seus algozes – clientes ao mesmo tempo, contarem com a concorrência acirrada do mercado de caçamba, degradando ainda mais o segmento de transporte.